MEVC Movimento Pela Emancipação de Vicente de Carvalho ganha os Jornais do país

11/11/2013 - 03h00

No litoral, Vicente de Carvalho quer se separar do Guarujá

NATÁLIA CANCIAN
ENVIADA ESPECIAL AO GUARUJÁ

A expectativa diante da sanção do projeto de lei que altera o processo de criação de novos municípios fez grande parte de Vicente de Carvalho, no litoral paulista, voltar a pensar em emancipação.
Como o distrito de Guarujá, de 152 mil habitantes, é maior do que o restante da cidade, que soma 139 mil, vencer o plebiscito previsto nas novas regras seria mais fácil.
Até então a tentativa de separação esbarrava na ausência de regulamentação da criação de novas cidades. Agora, com a perspectiva de mudanças, o movimento separatista ganhou força.
"A população está respirando isso. Já somos uma cidade", afirmou Clayton Leite, que lidera o pleito pela separação.
Audiência sobre a emancipação deve ocorrer na próxima semana, quando termina o prazo para a presidente Dilma Rousseff sancionar ou vetar o projeto.
Raquel Cunha/Folhapress
Travessia para Vicente de Carvalho, distrito do Guarujá
Travessia para Vicente de Carvalho, distrito do Guarujá
Mesmo ainda sem definição sobre a lei federal, a proposta da antiga e nova "Itapema" já é comentada nas ruas, onde a falta de infraestrutura é justificativa recorrente para a separação.
"Moro aqui há 40 anos e nunca vi tanto transtorno", disse o aposentado Mauro Santos, 59, em frente a uma avenida esburacada.
Apesar de ter adesão de parte do distrito, a emancipação ainda é alvo de desconfiança. Um dos impasses é o turismo --quando aumenta a oferta de serviços no Guarujá. "Se separar, vamos ser o filho pobre", disse Edson Cláudio, 78, da colônia de pescadores.
A prefeita Maria Antonieta de Brito (PMDB) disse ser favorável à separação, mas afirmou que o distrito não tem condições de ser independente. "Emancipar não resolve problemas de infraestrutura."

País tem 269 distritos em condições de separação do município-sede

NATÁLIA CANCIAN
DE SÃO PAULO

Conforme as novas regras para a criação de municípios, normas que devem ser ratificadas nesta semana pelo Planalto, 269 distritos do país têm hoje a população mínima exigida para iniciar um processo de emancipação.
Desses, porém, só 16 têm mais habitantes do que o restante do município -o que aumenta as chances de ter votos para vencer o plebiscito, etapa final do processo.
No litoral, Vicente de Carvalho quer se separar do Guarujá
O levantamento foi feito pela Folha com base nos dados dos 5.565 municípios do país, divulgados no último Censo do IBGE. Em média, cada um tem dois distritos.
A partir daí, a reportagem verificou quais deles se encaixam nas novas regras. Entre as exigências, o projeto aprovado em outubro determina uma população mínima para criação de novas cidades: 12 mil nas regiões Sul e Sudeste, 8.400 no Nordeste, 6 mil no Norte e Centro-Oeste.
Editoria de Arte/Folhapress
Outras regras incluem a promoção de estudos de viabilidade técnica e de plebiscito envolvendo moradores do distrito e da cidade-sede.
CANDIDATOS
Dos 16 distritos com mais chance de emancipação, ao menos seis já tentam se transformar em municípios. Apontam como razões a distância em relação à sede, falta de recursos e até identificação maior entre moradores.
Em Sumaré (SP), moradores de Nova Veneza, distrito com 140 mil habitantes, reclamam que não recebem repasses da prefeitura e que, quando precisam de serviços, recorrem a Campinas.
"Nada do que é arrecadado aqui vem para o distrito", diz o comerciante José Nunes, 50, um dos articuladores da separação.
Em Justinópolis (MG), moradores querem se separar de Ribeirão das Neves, na Grande BH, e deixar de viver na "capital dos presídios". Já reuniram 15 mil assinaturas -querem chegar a 22 mil.
Para o presidente da comissão pela separação, Janus José, vencer um plebiscito seria fácil -o distrito tem 160 mil habitantes, e o restante da cidade, 130 mil.
Na Bahia, além de população maior que a sede, a distância geográfica é bandeira dos candidatos a cidades.
Como em Nova Viçosa, onde até o prefeito Márvio Mendes (PMDB) apoia a emancipação de Posto da Mata, distrito a 90 km da sede. Motivo: ele vive lá há 35 anos -e pensa em eleição. "Nova Viçosa não ficaria abandonada", diz.
Para Paulo Ziulkoski, presidente da Confederação Nacional de Municípios, exigir um plebiscito pode travar a formação de novas cidades.
"Foi o que se viu no Pará, em 2011, quando a população não aceitou a divisão em dois Estados", afirma.
Ele diz que a emancipação pode ser positiva nos casos em que o distrito fica longe da cidade-sede. E defende que as regras deveriam prever distâncias mínimas entre o novo município e o anterior, o que não ocorre. "Senão cria a indústria da emancipação."
Para o economista Guilherme Mercês, a separação não é garantia de desenvolvimento. A saída, afirma, poderia ser uma gestão descentralizada. "Prover melhores serviços é questão de gestão, não de tamanho ou quantidade de municípios", diz.

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